Sessão Pop-Up: Alguns Resumos de Teses e Dissertações de Literatura.

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GATTO, Sônia Maria Galvão. A Barroquização do Signo. Dissertação de Mestrado. São Paulo, PUC-SP, 1998.

A espinha dorsal que sustenta nossa pesquisa é a questão da presença do Barroco na modernidade, assumindo a postura de um Neobarroco. Esta presença é notada em autores da América Latina. Aqui optamos por avaliar a ensaística de Haroldo de Campos, quanto aos conceitos em torno do estilo revitalizado, bem como a forma como manipula o signo, a fim de propor uma escritura. Para tanto, partimos da análise do Barroco, tendo como instrumentais a teoria do caos, em diálogo com a psicanálise a lingüística e a semiótica.
Na primeira parte do trabalho, "Ecos do Barroco", observa-se o movimento do cosmos caótico onde se insere p simbólico. Nesse ponto é que uma cosmologia barroca instaura-se, e a tessitura da entropia textual delineia-se, desobedecendo a uma linearidade e previsibilidade, amparada no princípio da incerteza e da possibilidade: o texto não é o limite, mas meio; não fixa sua conclusão, mas abre-se em confluência com o leitor; não espera no campo da claridade, mas arquiteta-se na obscuridade e estranheza.
Na segunda parte do trabalho, "Haroldo de Campos Neobarroco", abordaremos, como objeto, o Barroco na concepção de Haroldo de Campos. A opção é por uma recepção neobarroca atemporal que privilegia a desconstrução do Logos e a intercambiação entre forma e fundo, tendo como princípio a função poética jakobsoniana. Aqui, o Barroco está teorizado pela  vertente da memória cultural, observada sob o prisma da repetição diferencial freudiana.
Ainda abordaremos a forma como Haroldo de Campos manipula a palavra dentro dos preceitos barrocos, observando a acumulação de camadas sígnicas num processo de deslocamento sintático, esfoliação vocabular ou ainda neologias sonoras; busca correlações conjuntivas e disjuntivas melopaicas: o jogo paronomásico; fratura a escritura numa montagem/desmontagem espacial ideogramática que abusa do recurso visual; abarca a materialidade da obra em sua forma e estrutura que ora apresenta-se em expansão semântica, ora em linguagem e conteúdo rarefeito, refazendo-se em uma espécie de hibridização polifônica discursiva e pensamento relacional que caracteriza a obra constelar.

Orientador: Prof. Dr. José Amálio Pinheiro.

MARQUES, Cristina de Fátima L. As Vanguardas Visuais e a Poesia Experimental Portuguesa. São Paulo, tese de doutoramento, FFLCH/USP, 2003.

Na introdução apresentamos as motivações e os objetivos que nos levaram à execução desta pesquisa e contextualizamos historicamente alguns dos aspectos relativos ao surgimento e desenvolvimento da poesia visual e concreta.
Na primeira parte do trabalho apresentamos o banco de dados de poesia visual do poeta E.M. de Melo e Castro, expondo as características desse importante acervo e obras de poesia visual e concreta (sobretudo das décadas de 60 e 70). Fizemos ainda aproximações entre e o bando de dados e outros acervos com o fim de apontar características peculiares do banco de dados em questão.
Na segunda parte formulamos nossa tese propriamente dita, qual seja, a de que a Poesia Experimental Portuguesa possui como característica singular uma ligação com a estética barroca e que tal ligação é resultado do panorama cultural e político de Portugal durante a vigência da ditadura salazarista. A seguir, comparamos poemas de poetas experimentais portugueses com poemas da poesia concreta brasileira com o fim não só de demonstrar as relações entre as duas literaturas, como também de caracterizar as diferenças entre a produção portuguesa e a brasileira no que tange à poesia concreta e visual.
Ainda nesta segunda parte, desenvolvemos um estudo comparativo entre a Poesia Experimental Portuguesa e outras literaturas mundiais. Buscamos, assim, apontar o que no nosso entender seriam características específicas da poesia visual e concreta realizada na Alemanha, na Ingalterra, na Itália, na Espanha, nos Estados Unidos e nos países do leste europeu (Rússia inclusive).
Por fim, na terceira parte, tivemos em vista traçar um panorama contemporâneo da poesia concreta e visual, nele destacando o modo como os poetas visuais se apropriam das novas tecnologias de comunicação e de informática para a produção e divulgação de seus poemas.
Constam ainda da tese a bibliografia consultada, bem como uma seção de anexos com os dados do banco de dados, constituídos em uma tabela e sob a forma de um Cd-rom.
Esperamos que nossa tese contribua para o desenvolvimento da discussão acerca da poesia visual e concreta em língua portuguesa e, não só, uma vez que por sua própria natureza, esta é uma forma de poesia em que as diferenças lingüísticas tornam-se não mais que convenções.
Banca: Prof. Dr.ª Elza Miné da Rocha e Silva (orientadora); prof. Dr. Jayro N. Luna; prof. Dr. Horácio Costa; prof. Dr.ª Tânia; prof. Dr. Fernando Segolim.

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