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Rock and Roll em grande estilo
Confirmando que boa parte da poesia brasileira de qualidade não passa pelos grandes circuitos, não sai das oficinas das grandes editoras e (infelizmente) não é conhecida do grande público, basta ler o pequeno (mas enorme) livro de Jayro Luna, "Bagg'Ave". Reunindo 32 poemas num livro de bolso (bolso de camisa, diga-se a bem da verdade), onde a temática é o rock e suas adjacências, Jairo consegue nos legar um livrinho que se filia, formalmente a dois grandes (e quase únicos) épicos da poesia brasileira: Jorge de Lima (em "Invenção de Orfeu") e Marcus Accioly (em "Sísifo"). Em "Bagg'Ave", o leitor encontra todo o ciclo do rock e sua influência junto aos jovens, na nova tomada de consciência e nova postura frente à sociedade, muitas vezes, podre. E a poesia de Jairo tem fôlego, porque a cada página ela presenteia o leitor com o que ele sabe de melhor, utilizando, para mostrar o seu tema, desde sonetos tecnicamente perfeitos (de deixar babar muito acadêmico), mesmo que esse uso seja para ironizar, até a poesia concreta, que ele também demonstra sacar numa boa. E Jairo consegue fazer que sua poesia, em momento algum, seja pedante, mas mantém um grande estilo o tempo todo. Drogas, movimento hippie, rock, expressões americanizadas, jeans, heróis de histórias em quadrinhos, enfim, tudo o que compõe o universo jovem, a quem, na tentativa de marginalizar, cunha-se de alienante, Jairo capta, coma precisão antropofágica do Modernismo da primeira hora. Se o título do livro, "Bagg'Ave" é um mistério, não o são os poemas que o compõe, que dão a melhor prova da poesia ainda subterrânea que é feita aqui e em outros lugares. E essa poesia que, lutando contra tudo, vai se impondo, num circuito alternativo, que ultrapassa, em número e qualidade, o circuito oficial. Para quem não conhece Jairo e não vai poder conhecer, só resta ter pena deste País que não é feito de homens e livros.
LUIZ FERNANTO RUFATO, Jornal de Cataguases, 1986.
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