Convicto estou que muitos advogados são inda mais bandidos que o cliente. Também creio que os réus têm costa quente, e vendem a sentença os magistrados.
Certeza tenho acerca dos telhados de vidro sobre a casa dessa gente. Políticos, do alcaide ao presidente, são cornos ou, no mínimo, viados.
Ainda que nenhum deles assuma, passíveis todos são dum tribunal. Agora o bicho pega e a cobra fuma!
Só julgo porque sei mais que o jornal. Porém, como não tenho prova alguma, jamais declararia coisa tal.
SONETO 166 OPORTUNISTA
A paremiologia tem ditados pra situações contrárias, a calhar. Pergunta-se: a verdade é peculiar? Sectária? Relativa? Ou são furados?
Responde-se que os réus são sentenciados porque cada juiz tem seu olhar. Segundo alguns, você pode falhar; Pra outros, inocentes são culpados.
Um diz: "Cada cabeça, uma sentença."; Diz outro: "...tem cem anos de perdão."; E um outro diz que "O crime não compensa."...
Assim, também eu tenho meu refrão, que aplico com poética licença: "Versão de ocasião faz o ladrão."
SONETO TORRESMISTA
Não basta a ditadura que já é dura e vem a ditadura antigordura! Resita! Coma! Abaixo a ditadura! A luta tem um símbolo: FRITURA!
Trabalho, horário, imposto, compromisso. Orgasmo não se tem como se quer. Só sobra o bom do garfo e da colher, e os nazis nariz metem até nisso.
Maldita seja a mídia, sempre a dar espaço à medicina que reprime! Gestapo da "saúde" e "bem-estar"!
Saímos do regime militar, caímos no regime do regime. Censuram-nos até no paladar!
Glauco Mattoso--um dos principais nomes da chamada poesia marginal dos anos 70 e 80. Autor de publicações marcadas pela originalidade e pela irreverência, como o Jornal Dobrabil. Sua poesia é marcada pelo erotismo temperado com humor, ironia e uma certa dose de escatologia. Seus últimos livros têm sido baseados na recuperação da técnica do soneto. Seus sonetos--como os que reproduzimos nessa página-- lembram um pouco da poesia barroca de Gregório de Matos, com a diferença que aqui existe o tema da homossexualidade. Indicamos, dentre esses últimos livros, Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos. São Paulo, Edições Ciência do Acidente, 1999. E-mail: terron@uol.com.br