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SOL NASCENTE (fragmento)
Quão belo é o sol nascente! Olhos abertos, Penetra os pólos de cristal cobertos, Devassa nunca vistos areais; Farol do tempo, leão de áureas crinas, Diz, topando nos crânios das ruínas: - Aqui foram impérios colossais! -
Pêndula que se agita no infinito, Que ouve talvez da eternidade o grito, Atalaia de todas as ações, Anelado, redoira na memória Era feliz, que eternizou a glória, Sempre amada dos grandes corações.
Quão belo é o sol nascente! Ele afugenta Do ar a cerração grossa e cinzenta, D'alma a tristeza e os pensamentos vis: Aos homens todos ao lavor convida; E dá força, e vigor, a alento, e vida Ao que é desgraçado, ao que é feliz.
Ao mendigo, que fina-se, consola Com a promessa de abundante esmola, Ou de algum protetor bom, liberal; Ao pobre manda um raio de ventura; Ao órfão, desvalida criatura, Faz sonhar doce afago maternal.
Ele diz ao que é forte: - Hoje clemência! Ao fraco: - Mais um dia paciência! Àquele que lamenta-se: - Esperai! Aos tristes ele diz: - Sede contentes! Ao meu influxo borbulhai, sementes! Preciosas idéias, borbulhai!
Ele diz ao poeta: - Alevantai-vos! Dos grandes pensamentos inspirai-vos! Ide, correi, correi às multidões! A fé levai-lhes no queimar dos hinos, Como outrora os Apóstolos divinos Levaram graça e luz a mil nações.
Aos lábios todos ele diz: - Sorri-vos! A toda flor e coração: - Abri-vos! Lançai perfumes, transbordai de amor! Para tudo o que nasce e vive e sente É belo, sempre belo o sol nascente, Reverberando aos pés do Criador
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