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ORFEU SPAM 17/18 Jornal Eletrônico de Poesias e Artes Editora: Epsilon Volantis ISSN: 1807-8311 Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral. São Paulo, abr.jun. de 2007/jul.-set. de 2007. Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003 |
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Publicou seu primeiro poema, "Lágrima Negra", em 1920, na revista carioca Selecta. Na época trabalhava como empregado na contabilidade da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Nos anos de 1930 foi colaborador do suplemento "Autores e Livros", de "A Manhã" e do "Boletim de Ariel". Em 1935 organizou a "Antologia dos Poetas Modernos", primeira antologia de poetas dessa fase. Casa-se com Alda em 1947. Seu primeiro livro, "Poesias", foi publicado em 1948, e recebeu o Prêmio Felipe d'Oliveira de melhor livro de poesia do ano. Nos anos seguintes trabalhou como tradutor, lançando, em 1953, "Três Cantos do Inferno", de Dante Alighieri. Em 1979 foi publicado seu livro "Poesia e Prosa". Publicou em 1988 "Poemas Traduzidos de Baudelaire e Mallarmé". No mesmo ano recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Dante Milano é um dos poetas representativos da terceira geração do Modernismo. Para o crítico David Arrigucci Jr., Milano, “como o amigo Bandeira, refletiu muito sobre a morte, casando o pensamento à forma enxuta de seus versos - lírica seca e meditativa, avessa ao fácil artifício, onde o ritmo interior persegue em poemas curtos, com justeza e sem alarde, o sentido”. |
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Ramos, Péricles Eugênio da Silva [1967]. Dante Milano. In: ___. Poesia moderna: antologia. p.374.
Campos, Paulo Mendes [29 jan. 1972]. O antilirismo de um grande poeta brasileiro. In: Milano, Dante. Poesia e prosa. p.345-346.
Arrigucci Jr., Davi [1991]. Dante Milano: a extinta música. Folha de S. Paulo, p.6, caderno 6. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dante_Milano
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Objeto
de arte Pedra,
lição de escultura, Ou o
bronze que posto ao forno À maneira
do medonho Já no
mármore a figura Que,
mesmo nua, ao expor Ou então
pedra-sabão, Mas és da
beleza o exemplo, Aparição
singular,
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Canção bêbeda Estou bêbedo de tristeza, De doçura, de incerteza, Estou bêbedo de ilusão, Estou bêbedo, estou bêbedo, Bêbedo de cair no chão. Os que me virem caído Pensarão que estou ferido. Alguém dirá: "Foi suicídio!" "É um bêbedo!" outros dirão. E ficarei estirado, Bêbedo, desfigurado. Talvez eu seja arrastado Pelas ruas, empurrado, Jogado numa prisão. Ninguém perdoa o meu sonho, Riem da minha tristeza, Bêbedo, bêbedo, bêbedo, Em mim, humilhada a glória, Escarnecida a poesia, Rasgado o sonho, a ilusão Sumindo, a emoção doendo. E ficarei atirado, Bêbedo, desfigurado.
O amor de agora é o mesmo amor de outrora
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Terra de ninguém A sala recende A terra molhada, A caule úmido e raiz apodrecida. As flores sobre o cadáver Contraem pétalas enregeladas. A figura de cera no caixão bordado Sorri como um cego sorri Com ar de náusea. Os convidados expandem uma tristeza festiva. O defunto recusa Qualquer comunicação com a humanidade Que lhe é de todo indiferente agora. (Ele que morreu "pela Causa" e recebe honras fúnebres.) Em sua torre de marfim, Sob o céu absoluto da paisagem devastada, Reina, altivo. (Há coroas, há bendeiras na sala.) Passante! descobre-te e não rias, Respeita a morte e o fedor se sua glória.
Lagryma negra
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Dante Milano vem à tona
Por:Aleilton Fonseca
Com a edição de sua Obra reunida, o poeta carioca Dante Milano (1899-1991) vem à tona, após um longo e injustificável esquecimento. Ele estreou em 1920, e acompanhou à distância os desdobramentos da poesia modernista de 22, sem assumir posição de renovador estético. Independente, à margem das tendências em voga, tornou-se um poeta à parte e, como tal, ignorado pelos autores de panoramas literários. Nada mais injusto, pois seus poemas têm uma força lírica extraordinária. Milano é um poeta moderno para além dos ismos de ocasião. Sua poesia encanta pela sutileza, beneficiando-se da aparente simplicidade dos assuntos, com o vigor do pensamento metafísico, a feição cristalina dos versos, o ritmo e a musicalidade personalíssimos, a clareza das imagens e do vocabulário, a requintada ironia ao tratar de questões da existência, da vida, do amor e da morte. O leitor atento percebe uma aproximação lírica de Dante Milano com Manuel Bandeira, seu amigo e admirador, fato bastante visível no poema Lágrima negra (p. 157). Ele também se aproxima de Cecília Meireles, no tocante à concepção musical dos versos e à leveza das imagens. O seu poema Descobrimento da poesia (p. 21) corresponde, pela concepção, ao famoso Motivo ceciliano. Isto, por si só, já justifica o interesse por sua obra. Milano também escreveu textos sobre literatura, nos quais se observa a opinião de um leitor envolvido, reflexivo, lido e bem informado. Sua análise é intuitiva, sem aparato crítico nem método fechado, mas com a clarividência, a sutileza e a sensibilidade de poeta e leitor atento. Geralmente curtos, seus textos refletem posições pessoais, de autor mesmo, perante questões de interesse teórico, mantendo-se sempre como uma escrita literária. Outro legado valioso de Milano é, sem dúvida, a tradução de poesia: ele traduziu textos de Dante Alighieri, Shakespeare, Charles Baudelaire e Mallarmé. Essa iniciativa do poeta tem importância não somente pelo trabalho em si, mas pela lição que acrescenta à difícil arte de traduzir poesia, a par de sua concepção e seu talento ao propor soluções originais, ao recriar poemas célebres da tradição literária universal. O poeta, crítico e tradutor Ivan Junqueira faz a apresentação do autor e sua obra, com profundo senso de percepção e análise. Sua abordagem reorienta críticos e ensaístas, ao apontar critérios e caminhos para uma compreensão da obra e da personalidade poética de Dante Milano. Já o organizador, Sérgio Martagão Gesteira, esclarece, numa ''nota explicativa'', os critérios, as escolhas e os procedimentos de seu trabalho. Sem dúvida, este livro é uma contribuição importantíssima para o acervo bibliográfico da poesia brasileira do século 20. Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/alei13.html |
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