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ORFEU SPAM 13 Jornal Eletrônico de Poesias e Artes Editor: Jayro Luna ISSN: 1807-8311 Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral. São Paulo, abril / maio / junho de 2006. Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003 |
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Sessão Pim-Ball: Poesias de Mão Branca, Juliana Oliveira, Artur Gomes, Leila Míccolis, Antônio Miranda e Cláudia Pastore |
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Jura secreta 12 (De: Artur
Gomes) |
Long Hair (De: Cláudia Pastore)
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Geração Inde(x)pendente (De: Leila Míccolis)
Em vez de me deitar na cama,
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O ENIGMA DE PORTINARI
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Cinco de Dezembro - (De: Juliana Oliveira)
Cinco de dezembro, Dia da ruptura... Será o fim da inocência? E por onde andará a consciência?
Cinco de dezembro Rima com onze de setembro, Dia da tragédia coletiva. Cinco de dezembro: Eis a tragédia subjetiva.
Cinco, que antecede seis, Seis de dezembro, Dia do terceiro mês! Neste dia, comemoremos A ignorância da inexperiência, Que, como presente, Recebe apenas os espinhos do que era flor...
Setembro, outubro, novembro... Vem, dezembro, traga o cinco E, junto dele, a lembrança Dos sonhos nutridos Pelo ar de primavera de setembro, No qual uma flor Começara a desabrochar...
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Uma coisa que gosto é mixórdia e que detesto é falastrão. (De: Mão Branca) Uma coisa que gosto é mixórdia. O garoto conheceu a prima de uma amiga, engraçaram-se e entabularam um breve romance. A moça voltou para sua cidade e o garoto, como todo homem, contou os detalhes do flerte aos amigos. Os acontecidos e também os que não aconteceram. - Seu mentiroso. - A amiga o acusou. - Você falou que transou com minha prima. O rapaz congelou. De alguma forma a amiga soube de suas lorotas. - Não foi bem assim. - Respondeu ainda sem saber o que dizer. - Então como foi? Sua mente trabalhou tão rápido que temeu queimar alguma pestana, porém elaborou um plano perfeito de escape. - Foi um truque. - Tentou usar sua voz mais calma. - Um ardil. - Anda, explica! Enrolou um pouco, para atar os nós da desculpa. - O negócio é o seguinte: tenho três amigos e desconfiava que um deles não mantivesse segredo das coisas que eu contava. Assim, para cada um contei detalhes diferentes da história com sua prima. Se vazasse, pelo detalhe que aparecesse eu saberia quem abriu o bico. - Ele respirou e esperou para finalizar. - Foi isso. A amiga sorriu. - Muito bem bolado. - Olhou para o fundo dos olhos do rapaz. - Mas para qual dos seus amigos você contou que havia transado? Ela o colocara numa sinuca. Ele nem desconfiava quem tinha contado sua mentira para a amiga e, se errasse a resposta, seria humilhantemente desmascarado. - O Deco. - Chutou o amigo mais falastrão. A garota sorriu novamente. - Certo? - Ele perguntou com uma quase imperceptível dúvida na voz. - Bem, - Pausou antes de falar. - você é quem preparou a armadilha. - E nada mais disse, afinal, a dúvida estava na voz do rapaz e não na sua. Uma coisa que detesto é falastrão - Vamos almoçar? - Perguntou-me o colega. - Não! Você fala demais. - Lasquei seco. - Credo! - Assustou-se. - Bastava dizer que não tava com fome... - Calma. - Tentei explicar. - Não é uma crítica. - Não? - É apenas uma constatação. Você fala muito e eu gosto de ler no almoço. - Ah, tá. - Fingiu convencer-se. - Vamos almoçar? - Perguntou para a secretária, que ouvia nossa conversa. - Sai pra lá, falastrão, ninguém te agüenta. - Fugiu a mulher. Ri e concordei. Não agüento gente que fala demais. Tanto no detalhe quanto no assunto. Tem coisas que não só não preciso saber como não quero. Deixem-me em paz com meus pensamentos, eles são mais interessantes. - Minha mulher, cara, nem te conto... - Continuou o colega após o almoço. - Ok. - Ok o que? - Olhou-me interrogativo. - Ok, não me conte. - Mas não quer saber? - Sua voz era sincera. - Você me ouviu perguntar alguma coisa? Depois disso ele ficou amuado, andando pelos cantos, taciturno. Passou dois dias meio choroso. No terceiro perguntei como estava a vida. - Cara, minha mulher, nem te conto... - Parou e me olhou como se lembrasse de algo. Fiquei propositadamente calado. Ele continuou. - Ela tá me deixando louco. Noutro dia ... - E discorreu longamente sobre a morte da bezerra, ou sobre aquilo que falasse, pois eu já não o ouvia. Com meu tácito consentimento ele voltou a tagarelar. Uma necessidade, compulsão, que não consegue conter. Falastrões não são más pessoas, pelo contrário, são tão simples que não conseguem dialogar com os próprios pensamentos, precisam ouvir a própria voz para entender-se, como se escutassem alguém lhes contando sobre a própria vida. Gosto de pessoas simples. Mas os falastrões continuam muito chatos. ------------------------------- http://www.maobranca.xpg.com.br/
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