ORFEU SPAM 12

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editor: Jayro Luna

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, janeiro/fevereiro/março de 2006.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

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Sessão Pim-Ball: Poesias de Ivan Miziara, Touchê, Geraldo Pará, Dalila Teles Veras, Juliana Oliveira, Artur Gomes e Aricy Curvello

 

A concha

Ivan Miziara

Da concha
rubra
retiro
fluida
alva
tuas líquidas
sementes
que trago
entredentes

Na concha
rubra
mergulho
com a ponta
do arpão
que perturba
e escuta
teu íntimo
rumor

Na concha
rubra
busco
a pérola
úmida
ardente
que me faz
ser
quem sou

 

BEXIGA

 Touchê (Antônio Carlos Lucena)

 

       -Te mato!

Grita Carmela

E as janelas

Arregalam olhos

Na tarde do Bexiga.

 

       -Te mato, fanciullo!

Estilhaça o ar

A voz de Carmela

De saia levantada

Correndo atrás

De seu irmão

Moleque safado

Como tatu

Enfiando o focinho

Onde num é chamado.

 

       -Te mato, maledetto!

A correria continua

Bairro adentro

E ao seu redor

Nas ruas

Pepas e Conchetas

Confabulam.

 

 

Para Lô Borges e Milton Nascimento

Geraldo Pará

 

Se para Lennon foi o começo da parceria

com McCartney foi a junção voz e grito

América do Sul

Sou, som, sol, som sou...

sem som, som... soul.

Estes gritos e vozes de décadas

de séculos, de um dia de segundos?

O tempo invenção de Nascimento

O Borges do girassol da cor de tudo

Lixo ao oriente dirimente

De/ferente ocidente

A esquina sozinha

O clube dos mudos

Os surdos com olhos petrificados

Espanta-me a visão desação

Ficastes velhos

Apresentação não

Ouço notícias de chegadas doentias

de olhos parados com sorrisos

Emagrecimentos repentinos

acusando-lhes de vidas silenciosas

Lugar de fortes sacramentos

Espiados de janela central

Se os dias de viveres

Viverão as raças

Viveremos com rítmica

canção de grito tradução

Vozeando a união própria

Humana, telúrica, inconformada...

 

 

Sol sem aço
Dalila Teles Veras 

 

ou relendo Mishima em clara manhã de sol
agasalhada de sol
visto a paisagem
sobre pele escandalosamente azul
contemplo
este mesmo céu de Mishima
e sei
que não haverá compensação
nem morte alguma absoluta
a justificar este momento.
agasalho-me e creio
como só quem sabe e viu
o sabre só deve ser desembainhado
a prumo
na exata medida do riscado
 

 

Como um Soneto

Juliana Oliveira

 

Meu corpo oscila

Entre razão e emoção,

Meu corpo arde

À chama da paixão!

 

Meu corpo é como um soneto.

Tem na aparência

Equilíbrio e perfeição,

Harmonizados à devassidão...

 

Entre razão e emoção,

Meu corpo é brasa,

A mente confusão.

 

Meu corpo é como um soneto:

Equilíbrio na forma,

No conteúdo paixão!

 

O Náufrago
Aricy Curvello

O plano que malogra ,
a fortuna que se rende ,
o fado que tem olhos
de acaso e relógio ,
pelos três a grande Barca abalroada ,
três mil passageiros se paralisaram no terror da hora ,
em plena noite, ao mar, na baía da Guanabara .
Alguns, das águas recuperados .

Um , não dos mais belos, porém dos mais jovens,
fortes ventos e correntes o impeliram para fora
da barra, para as altas águas, o alto mar,
roído de peixes,
que humano já não era, incorporado
a medusas e algas, ao
plenilúnio, às vagas, aos eflúvios do sal .
agora , sua respiração percorre o litoral

 

 

 

 

 

 

                        

Travessia

Artur Gomes
Travessia

de Almada
vou atravessar o Tejo
barco a vela
Portugal afora
em Lisboa
vou compor
um fado
e cantar no porto
feito
um blues rasgado
de amor
pela senhora
que me espera
em paz
e todo vinho
que eu beber
agora
será como beijo
que eu guardei
inteiro
como um marinheiro
que retorna ao cais

 

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