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Resumo de O Guarani - José de Alencar

PERSONAGENS:

Dom Antonio de Mariz: fidalgo da nobreza de Portugal;

Álvaro: capataz de Dom Antônio;

Cecília: filha de Dom Antônio;

Peri: índio que "vigiava" Cecília com bravura e coragem;

Diogo: filho de Dom Antônio;

Isabel: criada e irmã bastarda de Cecília;

Loredano: traidor, que tenta destruir Dom Antônio raptando Cecília;

Aimorés: tribo inimiga;


- Gênero: romance histórico indianista
- Foco narrativo: 3ª- pessoa onisciente
- Tempo: 1604 — época colonial (domínio espanhol)
- Espaço: Serra dos Órgãos (RJ) / Rio Paquequer / Rio Paraíba
- Ação folhetinesca: rapidez, surpresa, suspense e emoção
Temas
      - conquista do sertão
      - confronto de raças e de culturas
      - imposição da cultura branca
      - imposição do cristianismo
      - assimilação do selvagem idealizado
      - idealização da natureza (cor local)

Na primeira metade do século XVII, Portugal ainda dependia politicamente da   Espanha, fato que, se por um lado exasperava os sentimentos patrióticos de um frei Antão, como mostrou Gonçalves Dias, por outro lado a ele se acomodavam os conservadoristas e os portugueses de pouco brio.

D. Antônio de  Mariz,  fidalgo dos  mais  insignes  da  nobreza de  Portugal,  leva  adiante  no  Brasil  uma colonização dentro mais rigoroso espírito  de  obediência  à sua  pátria. Representa, com sua casa-forte,  elevada  na Serra dos Órgãos, um baluarte na Colônia, a desafiar o poderio espanhol.

Sua casa-forte, às margens do Paquequer,  afluente  do Paraíba, é abrigo de ilustres portugueses, afinados no   mesmo  espírito  patriótico   e   colonizador,  mas  acolhe   inicialmente, com   ingênua   cordialidade,  bandos de mercenários, homens sedentos de ouro e prata, como o aventureiro Loredano, ex-padre que assassinara um  homem desarmado, a troco do mapa das famosas minas de prata.

Dentro da respeitável casa de D. Antônio de  Mariz,  Loredano vai pacientemente  urdindo  seu  plano  de destruição de toda a  família  e dos  agregados. Em  seus  planos, contudo, está  o  rapto  da  bela Cecília, filha de D. Antônio, mas que é constantemente vigiada por um índio forte e corajoso, Peri, que  em  recompensa  por tê-la  salvo certa vez de uma avalancha de pedras, recebeu a mais alta gratidão  de D. Antônio  e mesmo o afeto  espontâneo  da moça, que o trata como a um irmão.

A  narrativa  inicia  seus  momentos  épicos  logo  após   o  incidente em  que  Diogo, filho de  D.  Antônio, inadvertidamente, mata uma  indiazinha  aimoré,  durante  uma  caçada.  Indignados, os  aimorés  procuram  vingança: surpreendidos por Peri, enquanto espreitavam  o  banho de  Ceci,  para  logo  após assassiná-la, dois  aimorés  caem transpassados por certeiras flechas; o  fato  é   relatado à tribo aimoré por uma índia que conseguira  ver  o  ocorrido.

A luta que se irá travar não diminui a ambição de Loredano, que continua a tramar  a  destruição  de todos os que não o acompanhem. Pela bravura demonstrada do homem português, têm importância ainda dois personagens: Álvaro, jovem enamorado de Ceci e  não retribuído nesse amor, senão numa  fraterna  simpatia;  Aires Gomes, espécie de  comandante de armas, leal defensor da casa de D. Antônio.

Durante todos os momentos da luta, Peri, vigilante, não descura dos passos de Loredano, frustrando todas suas  tentativas de  traição ou  de  rapto de  Ceci. Muito mais  numerosos, os  aimorés  vão ganhando a  luta  passo a passo.

Num momento, dos mais heróicos por  sinal,  Peri,  conhecendo que estavam  quase  perdidos,  tenta  uma solução tipicamente indígena: tomando veneno, pois sabe que  os  aimorés são antropófagos, desce a montanha e vai lutar "in loco" contra os aimorés:  sabe que, morrendo, seria  sua  carne  devorada  pelos antropófagos e aí  estaria  a salvação da casa de D. Antônio: eles morreriam, pois seu organismo já estaria de todo envenenado.

Depois  de encarniçada luta, onde morreram  muitos inimigos,  Peri é subjugado e, já  sem forças,  espera, armado,  o  sacrifício  que  lhe  irão  impingir.  Álvaro (a esta altura enamorado de  Isabel,  irmã  adotiva  de Cecília) consegue heroicamente salvar Peri. Peri volta e diz a Ceci que havia tomado veneno. Ante o desespero da moça com essa revelação, Peri volta à floresta em busca de um antídoto, espécie de erva que neutraliza o poder letal do veneno.

De volta, traz o cadáver de Álvaro morto em combate com os aimorés. Dá-se então o momento trágico da narrativa: Isabel, inconformada com a desgraça ocorrida ao amado, suicida-se  sobre  seu corpo.  Loredano continua agindo. Crendo-se completamente seguro, trama agora a morte de D. Antônio e parte para  a ação.  Quando  menos supõe, é preso e condenado a morrer na fogueira, como traidor.

O cerco dos selvagens é cada vez maior. Peri, a pedido do pai  de  Cecília, se  faz  cristão,  única  maneira possível para que D. Antônio concordasse, na fuga dos dois, os únicos que se poderiam salvar.  Descendo  por  uma corda através do abismo, carregando Cecília  entorpecida pelo vinho  que  o  pai  lhe dera  para que  dormisse,  Peri consegue  afinal  chegar  ao  rio Paquequer.  Numa  frágil canoa,  vai  descendo  rio abaixo,  até  que ouve  o  grande estampido provocado por D. Antônio, que, vendo entrarem os aimorés  em  sua  fortaleza,  ateia fogo  aos  barris  de pólvora, destruindo índios e portugueses.

Testemunhas  únicas   do  ocorrido,  Peri  e  Ceci  caminham  agora  por   uma natureza revolta em águas, enfrentando a fúria dos elementos da tempestade. Cecília acorda e  Peri lhe relata o sucedido. Transtornada, a moça se vê sozinha no mundo. Prefere não mais voltar ao Rio de Janeiro,  para onde iria. Prefere ficar com  Peri, morando nas selvas. A tempestade faz as   águas subirem ainda  mais. Por   segurança , Peri sobe   ao alto   de uma  palmeira, protegendo fielmente a moça.

Como as águas fossem subindo perigosamente, Peri, com força  descomunal, arranca a  palmeira  do solo, improvisando uma canoa. O romance termina com a palmeira perdendo-se no horizonte, não  sem  antes  Alencar ter sugerido, nas  últimas linhas  do romance, uma  bela  união  amorosa,  semente  de  onde brotaria mais tarde  a  raça brasileira...

 

O Guarani
Autor Carlos Gomes, Antônio

O Guarani é a terceira ópera de Antônio Carlos Gomes – a primeira escrita em solo europeu – e a que o projetou internacionalmente. A ópera é dividida em quatro atos.
Com libreto de autoria de Antônio Scalvini, concluído por Carlo D"Ormeville, estreou em 19 de março de 1870 de forma triunfal no Scala de Milão. No Brasil, estreou no mesmo ano. Foi ouvida 32 vezes no Scala e depois seguiu para Florença, Gênova, Ferrara, Londres, Vicenza, Treviso, Turim, Palermo, Catânia, Reggio Emilia, Lugo, Buenos Aires, Varsóvia, Rio de Janeiro, Montevidéu, Paris, São Petersburgo e Moscou, num total de 231 apresentações em 8 anos.
Inspirada no romance homônimo de José de Alencar, "O Guarani", transcorre no Brasil de 1560, no litoral do Rio de Janeiro, onde vive Dom Antônio de Mariz, um velho fidalgo português.
Sob o ponto de vista romântico, a história gira em torno de sua filha Cecília (Cecy), que desperta paixão, simultaneamente, em quatro homens: Gonzales, aventureiro espanhol que a cobiça; Dom Álvaro, nobre português a quem Cecília foi prometida em casamento; o Cacique Aymoré, que deseja desposá-la; e Pery, por quem Cecy também se apaixona. Para os dois quase adolescentes – Cecy tem 16 anos e Pery, 18 –, é a descoberta do amor de forma pura, que começa com a amizade e se desenvolve de forma arrebatadora, transpondo as diferenças étnicas e culturais do casal.
O Guarani, contudo, permite outros tipos de leitura. A ópera também retrata a história verídica da dizimação dos índios Aymorés. Igualmente, mostra o interesse econômico de Espanha na colônia portuguesa na figura do aventureiro Gonzales – embora deseje Cecy, ele tem como principal objetivo dominar a todos para poder explorar uma mina de prata, cuja existência e localização são mantidas em segredo.
Além disso, a ópera evidencia a vida difícil dos primeiros colonizadores portugueses em terras brasileiras e relata, através da personagem Cecília, o vertiginoso processo de amadurecimento que os jovens estrangeiros eram obrigados a enfrentar. Cecília, que no primeiro ato mostra-se uma adolescente frágil, amadurece durante o espetáculo. Convivendo com perdas, medos e insegurança, transforma-se numa portuguesa forte, capaz de tomar decisões difíceis e disposta a enfrentar qualquer dificuldade. Seu desenvolvimento é proposto claramente pelo compositor também no amadurecimento musical das peças cantadas pela personagem.
Ao final do quarto ato todos os personagens morrem, restando vivos apenas a portuguesa Cecília e o índio Pery. Este final carrega todos os elementos simbólicos da formação da Nação Brasileira.
Primeiro Ato
O início da ópera se dá com o retorno dos aventureiros espanhóis, liderados pelo vilão Gonzales, e também por Dom Álvaro – o prometido de Cecy –, à casa de Dom Antônio de Mariz. Ao chegar ao local, ficam sabendo que alguns empregados de Dom Antônio mataram, por engano, uma jovem índia da tribo Aymoré e que os indígenas já revidaram, tentando matar Cecy.
Os aventureiros ficam surpresos ao descobrirem que Cecy foi salva pelo índio Pery – um jovem guerreiro guarani, chefe de sua tribo –, e que ele está instalado na casa de Dom Antônio. Todas estas revelações acontecem no momento em que Pery entra na sala onde estão Dom Antônio e os outros, para informar que os Aymorés querem vingança e que vão atacar a casa do fidalgo.
Paralelamente, os aventureiros conspiram contra Dom Antônio – e Pery ouve. Em seguida chega Cecy e todos rezam, liderados pelo fidalgo. Esta é uma das passagens mais bonitas da ópera.
A sós, Pery relata a Cecy que vai embora. A jovem pede que o índio fique. Durante o dueto em que os dois desenvolvem a conversa, Pery afirma não ser digno da portuguesa. Neste momento os dois se descobrem apaixonados. Pery decide: vai embora, para descobrir quem são os traidores e como vão agir para denunciá-los.
Segundo Ato
O início do segundo ato tem uma das passagens mais difíceis para o tenor que interpreta Pery. Sozinho na gruta onde acontecerá o encontro dos inconfidentes, Pery reflete sobre a sua situação. Através da ária conclui que, à sua forma, ele também é um nobre e merece o amor que Cecy lhe dedica.
Chegam os conspiradores. Gonzales propõe que todos se aliem a ele para explorar a mina de prata. Pery aparece e luta com o vilão. O índio prefere não matar o espanhol, ao ouvir dele a promessa de que iria embora. Gonzales não cumpre o prometido e acerta com seus comparsas a morte de toda a família de Cecy, à exceção dela, que deve ser preservada para ficar com ele.
Sem saber de nada, Cecy está no seu quarto lembrando histórias de príncipes e pensando em Pery. Com o passar do tempo, ela adormece. Gonzales, que está à espreita, entra no quarto para tentar levá-la. Ele parte para cima dela, que tenta se defender. Gonzales é ferido na mão por uma flecha lançada por Pery, que está vendo a cena da janela.
Ao ouvir os gritos de Cecy, Dom Antônio, Dom Álvaro e outras pessoas da casa entram no quarto. Pery também entra e denuncia o traidor, usando como prova o ferimento na mão causado por sua flecha. Começa a luta entre os grupos fiéis a Dom Antônio e a Gonzales. Mas a briga é interrompida pela notícia de que os Aymorés estão atacando. Os rivais se unem para derrotar os índios.
Terceiro Ato
Os Aymorés, que venceram a luta contra os europeus, chegam à taba, levando Cecy como prisioneira. Ao conhecer a jovem portuguesa, o Cacique também se apaixona por ela e decide tê-la como mulher, obrigando-a a incorporar alguns signos indígenas à sua indumentária.
Um tumulto envolve a chegada de Pery. O Cacique quer saber como um jovem bravo, esperto e valente, deixou-se capturar. Descobre então que ele se entregou. Pery admite que foi à aldeia para matar o Cacique e é condenado à morte.
Seguindo a tradição dos Aymorés, Pery, depois de morto, deverá ser devorado pelo Cacique e pelos anciãos da tribo. O sacrifício é precedido de rituais de preparação, iniciados com uma dança. Na seqüência, Pery exerce o direito de ficar por uma hora com a mulher mais linda da tribo, escolhida pelo Cacique – ou seja, Cecy.
Neste momento em que os dois ficam a sós, é cantado o segundo dueto dos protagonistas. Pery conta a Cecy que o pai dela está a salvo e revela seu plano: pretende se envenenar, para que sua carne contaminada mate os índios Aymorés. Cecy implora para que ele abandone o plano, mas ele toma o veneno. Ela se desespera. Os Aymorés retornam e, para iniciar o sacrifício, fazem uma oração. Chefiados por Dom Álvaro, os portugueses atacam e libertam Cecy.
Quarto Ato
O último ato da ópera começa no calabouço da casa de Dom Antônio, onde ele armazena pólvora. O fidalgo está escondido, ouvindo a conversa entre os aventureiros, que decidem manter o plano de matar a todos, menos Cecy.
No momento em que o fidalgo está pronto para atear fogo ao calabouço, Pery, que todos imaginavam morto, retorna à cena. Além de relatar que conseguiu escapar da morte graças a um antídoto que tomou para anular o efeito do veneno, conta que a casa está toda cercada e garante que conseguiria fugir levando uma única pessoa: Cecy.
Dom Antônio, embora queira salvar Cecy, reluta em autorizá-la a ir com Pery, pois ele é pagão. Faz uma imposição: que ele seja batizado naquele momento. Pery aceita.
Cecy, que não estava presente, chega e sabe das decisões do pai e do jovem índio. Ela insiste em ficar com o pai. Dom Antônio ordena que ela fuja com Pery para o Rio de Janeiro. Ela decide ir. Os aventureiros chegam e Dom Antônio põe fogo na pólvora, explodindo a casa. Sobrevivem somente Cecy e Pery.

 

Filme: O GUARANI - VHS - SEM LEGENDA
Titulo Original: O Guarani
País: Brasil
Gênero: Nacional
Diretor: NORMA BENGEL
Elenco: MARCIO GARCIA, TATIANA ISSA, GLORIA PIRES
Ano: 1996
Duração: 91 min