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Hans Staden
Um viajante alemão que em 1550 naufragou nas costas do Brasil e acabou aprisionado por uma tribo de índios tupinambás em Ubatuba. Por pouco não foi vítima de um ritual de canibalismo, uma vez que fora tomado pelos índios como português, com quem essa tribo estava em guerra. Conseguindo provar sua origem, viveu um bom tempo entre os índios até ser resgatado em 1554. Faz uma segunda viagem ao Brasil em que faz um levantamento da flora e da fauna. Sua obra Duas Viagens ao Brasil foi publicado em Marburgo, Alemanha, em 1557, tornado-se o que se pode chamar de o primeiro grande “best-seller” de aventuras nas selvas brasileiras. Hans Staden não foi o primeiro alemão e viajar pelo Brasil, antes dele um certo Ulrich Schmidel contou sua aventura junto de espanhóis que tentavam encontrar a tribo das índias Amazonas e o lendário Eldorado nas florestas da Amazônia. A aventura de Hans Staden está colocada no filme de Luiz Alberto Pereira (Hans Staden, 1999) em que valoriza-se a linguagem tupi. A obra de Staden cativa pela narrativa, principalmente a primeira parte e ajudou a criar no Europeu a imagem de uma selva brasileira exuberante mas cheia de perigos e de uma cultura indígena estranha, ingênua e desconhecida.
Trechos:
“No dia seguinte – às ave-maria a julgar pelo sol – avistamos suas habitações. Tínhamos levado três dias de caminho e percorrido de Bertioga onde eu tinha sido aprisionado, trinta milhas.
Quando nos aproximamos, vimos uma pequena aldeia de sete choças. Chamavam-na Ubatuba. Dirigimo-nos para uma praia, abert ao mar. Bem perto trabalhavam as mulheres numa cultura de plantas de raízes, que eles chamam mandioca. Estavam aí uma delas, que arrancava, raízes, e tive que lhes gritar em sua língua: ‘Aju ne xê peê remiurama’, isto é: ‘Estou chegando eu, vossa comida’
Fomos à terra. Acudiram então todos, moços e velhos, das cabanas, que ficavam num outeiro, e queriam ver-me. Os homens se retiraram com os arcos e flechas para suas moradias e deixaram-me com as mulheres, que me rodearam. Algumas foram à minha frente, outras atrás, dançando e cantando uma canção que, segundo seu costume, entoavam aos prisioneiros que tencionavam devorar. Assim trouxeram-me elas até a caiçara, fortificação de estacas longas e grossas que rodeia suas choupanas como a cerca dum jardim. Utilizam-na como anteparo contra o inimigo. No interior da caiçara arrojaram-se as mulheres todas sobre mim, dando-me socos, arrepelando-me a barba, e diziam em sua linguagem: ‘Xé anama poepika aé!’ ‘Com esta pancada vingo-me pelo homem que os teus amigos nos mataram’”. (Duas Viagens ao Brasil).
“A maior parte deles tem só uma mulher; outros têm mais. Mas alguns dos seus principais têm 13 ou 14 mulheres. O principal a quem me deram da última vez, e de quem os franceses me compraram, chamado Abbati Bossange, tinha muitas mulheres e a que fora a primeira era a superiora entre elas. Cada uma tinha o seu aposento na cabana, seu próprio fogo e sua própria plantação de raízes; e aquela com quem ele vivia, e em cujo aposento ficava é que lhe servia de comer; e assim passava de uma para outra. As crianças que lhe nascem, enquanto meninos pequenos, educam-nos para a caça; e o que os meninos trazem, cada qual dá a sua mãe. Elas então cozinham e partilham com os outros; e as mulheres se dão bem entre si.
Também têm o costume de fazer presentes de suas mulheres, quando aborrecidos delas. Fazem do mesmo modo presentes de uma filha ou irmã.” (Duas Viagens ao Brasil)
“Do lugar onde me haviam raspado as sobrancelhas, conduziram-me as mulheres em frente da choça em que estavam os seus ídolos, os maracás, e fizeram uma roda em volta de mim. Fiquei no meio. Duas mulheres amarraram-me com um cordel alguns chocalhos a uma perna e por detrás, no pescoço, de modo que me ficasse acima da cabeça, um leque quadrangular de penas de cauda de papagaios, que eles chamam araçoiá. Depois começaram elas todas a cantar. De acordo com seu compasso, devia eu bater o pé com a perna à qual estavam atados os chocalhos, de modo que chocalhasse acompanhando o seu canto. E a perna ferida doía-me tanto que mal me podia ter em pé, pois ainda não estava pensada.” (Duas Viagens ao Brasil)
“Não existe entre eles propriedade particular, nem conhecem dinheiro. Seu tesouro são penas de pássaros. Quem as tem muitas, é rico e quem tem cristais para os lábios, é dos mais ricos. Cada família tem, para comer, a mandioca que lhe é própria.” (Duas Viagens ao Brasil)
“Considera um homem sua maior honra capturar e matar muitos inimigos, o que entre eles é habitual. Traz tantos nomes quantos inimigos matou, e os mais nobres entre eles são aqueles que têm muitos nomes.” (Duas Viagens ao Brasil)
HANS STADEN - O FILME

Ano de Lançamento em dvd: 2001 Ano de
Lançamento em filme: 2000
Diretor: Luiz Alberto Pereira O filme conta a
história de Hans Staden, viajante alemão que, em 1550, naufragou no litoral de
Santa Catarina. Dois anos depois, conseguiu chegar em São Vicente, reduto da
colonização portuguesa. Ali ficou dois anos trabalhando como artilheiro do Forte
de Bertioga.
Em janeiro de 1554, dias antes de sua volta à Europa, resolveu procurar seu
escravo, um índio Carijó, que ha via saído para pescar nas imediações do Forte e
havia desaparecido.
Navegando com sua canoa em um rio onde o escravo costumava pescar, Staden
cacabou aprisionado por índios Tupinambás, tribo inimiga dos portugueses.
Foi então levado para a aldeia de Ubatuba, onde seria morto e devorado em um
ritual antropofágico.
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(Apostila 4 de Literatura Informativa sobre o Brasil)