ORFEU SPAM APOSTILAS
História Geral - O Iluminismo
Nos séculos XVII e XVIII, um movimento intelectual ganhou força e se opôs ao Antigo Regime, o Iluminismo.
O Iluminismo caracterizava-se pelo racionalismo, antimercantilismo, antiabsolutismo e anticlericalismo.
Seu berço foi a Inglaterra, graças à revolução burguesa, mas foi na França que atingiu o apogeu.
Alguns dos principais pensadores iluministas foram:René Descartes, Isaac Newton, John Locke, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Denis Diderot e Jean D'Alembert.
Na economia o Iluminismo gerou a doutrina fisiocrata (François Quesnay) e do liberalismo econômico (Adam Smith). No poder, ocasionou o despotismo esclarecido, com destaque para os governos de Frederico II, na Prússia; Catarian, a Grande, da Rússia; José II, da Áustria; e do Marquês de Pombal, em Portugal.
Iluminismo (FILOSOFIA)
Movimento cultural e
intelectual, surgido na Europa, no século XVIII, baseado no uso e na exaltação
da razão. Considerava o conhecimento, a liberdade e a felicidade os objetivos do
homem. Também chamado Esclarecimento.
No decorrer do século XVIII, as idéias do Iluminismo sobre Deus, a razão, a
natureza e o homem cristalizaram-se numa cosmovisão que deitou raízes e acabou
por produzir avanços revolucionários na arte, na filosofia e na política.
Iluminismo foi o movimento cultural e intelectual europeu que, herdeiro do
humanismo do Renascimento e originado do racionalismo e do empirismo do século
XVII, fundava-se no uso e na exaltação da razão, vista como o atributo pelo qual
o homem apreende o universo e aperfeiçoa sua própria condição. Considerava que
os objetivos do homem eram o conhecimento, a liberdade e a felicidade. O
Iluminismo foi chamado pelos franceses de Siècle des Lumières, ou apenas
Lumières, pelos ingleses e americanos de Enlightenment e pelos alemães de
Aufklärung.
Características gerais - O
Iluminismo avaliou com otimismo o poder e as realizações da razão humana, e a
crença na possibilidade de reorganizar a sociedade segundo princípios racionais.
Não ignorou a história, mas a encarou de modo crítico, sem aceitar a idéia de
que a evolução da humanidade fosse inexoravelmente determinada pelo passado.
Esse enfoque retirou do otimismo dos pensadores iluministas qualquer caráter
metafísico. Ao contrário, a visão iluminista tinha por base a possibilidade,
aberta a cada ser humano, de ter consciência de si mesmo e de seus erros e
acertos, e de ser dono de seu destino: a confiança nos efeitos moralizadores e
enobrecedores da instrução se completava na exortação a todas as pessoas para
que pensassem e julgassem por si próprias, sem orientação alheia. A crítica
iluminista dirigiu-se contra a tradição e a autoridade daqueles que se arrogavam
a tarefa de guiar o pensamento, e contra o dogmatismo que os justificava.
Essa luta contra as verdades dogmáticas deu-se, na esfera política, com a
oposição ao absolutismo monárquico. É certo que houve alguns casos em que
monarcas apoiaram e estimularam as novas idéias, atitude que ficou conhecida
como "despotismo esclarecido". Esse apoio não configurava uma aliança, pois era
quase sempre superficial e ditado por conveniências políticas ou estratégicas.
A riqueza e complexidade do movimento iluminista teve como base alguns pontos
gerais: em primeiro lugar, a influência que os empreendimentos científicos do
século XVII e início do século XVIII tiveram sobre as novas idéias. Na
astronomia e na física, por exemplo, Galileu Galilei, Johannes Kepler e Isaac
Newton levaram a conceber o universo como "natureza", ou seja, como um domínio
ou realidade dinâmica, regida por leis gerais que a razão sempre poderia acabar
por descobrir. Em segundo lugar, e como conseqüência, a substituição da idéia de
um Deus pessoal, responsável pelos acontecimentos humanos e eventos naturais,
por um deísmo, que valorizava a idéia abstrata de Deus como princípio ordenador
da natureza, "arquiteto do mundo" e criador de suas leis, mas que não intervém
diretamente nele. Embora a idéia do deísmo não tenha sido compartilhada por
todos os pensadores iluministas -- alguns mantiveram a crença em um Deus
transcendente ao qual a humanidade concernia diretamente, enquanto outros
radicalizaram suas opiniões e chegaram ao ateísmo --, essa foi a tendência
dominante do pensamento da época.
Tudo isso levou à crença no "progresso histórico" da humanidade, concebido não
como produto de um plano divino, mas como resultado da razão e dos esforços
humanos. Formou-se assim pela primeira vez a idéia de "humanidade" como
integração de todos os povos, acima de circunstanciais diferenças étnicas ou
situações temporais ou espaciais.
Como resultado lógico, a atividade e tarefa que os pensadores iluministas se
atribuíam não ficou centrada na criação de grandes sistemas especulativos, e sim
na difusão da cultura e na abertura de novas perspectivas para a compreensão da
realidade. Os gêneros literários se diversificaram, surgiram inúmeras
publicações, e a diversidade de temas de estudo e de reflexão firmou-se como um
dos traços que permaneceram na cultura contemporânea.
Para avaliar globalmente o Iluminismo, deve-se levar em conta que, embora
houvesse uma atmosfera cultural comum em quase toda a Europa, as diferenças
nacionais e a existência de sistemas políticos distintos determinaram condições
e pontos de vista diversos. O Iluminismo francês, por exemplo, foi mais
anticlerical e de orientação política do que o Iluminismo britânico, o qual se
desenvolveu em um país onde já havia se estabelecido uma monarquia liberal; já
na Alemanha, o debate intelectual se concentrou em questões metafísicas e
religiosas.
Desenvolvimento e
principais tendências - O Iluminismo produziu as primeiras teeorias modernas
seculares sobre a psicologia e a ética. O filósofo empirista inglês John Locke
foi, de certo modo, o primeiro iluminista. Em seu Essay Concerning Human
Understanding (1689; Ensaio acerca do entendimento humano), Locke rejeitou a
escolástica, que baseava a explicação do mundo em conceitos, e recusou também o
apriorismo cartesiano: para Locke, os objetos do entendimento ou conhecimento
não poderiam ser entidades constituídas prévia e independentemente dele, nem
tampouco idéias inatas. Assim, considerou que, na ocasião do nascimento, a mente
humana é como uma página em branco, uma tabula rasa na qual a experiência vai
formando o caráter individual. Essas idéias, radicalizadas por David Hume,
ensejaram uma nova visão da ética e da sociedade. As ações corretas e a
organização social justa dependeriam do exercício da faculdade da razão.
Na França, a organização política não tinha a flexibilidade e funcionalidade do
sistema inglês, de modo que a reação contra a rigidez hierárquica e a
desigualdade levou quase forçosamente a ideais revolucionários, que apareceram
de modo bem definido em obras como a do barão de Montesquieu, L'Esprit des lois
(1748; O espírito das leis). Nela, o autor postulava um liberalismo de tipo
britânico, assegurado -- e essa foi sua grande contribuição à filosofia política
-- pela separação dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Voltaire foi,
em grande medida, o símbolo do "século das luzes" francês; atacou com dureza o
absolutismo e a igreja, exaltou a razão e advogou um deísmo que assumiu algumas
vezes formas quase místicas e irracionais.
Denis Diderot e Jean Le Rond d'Alembert produziram o grande monumento
intelectual do Iluminismo: a Encyclopédie, obra portentosa que consistia numa
série de artigos e ensaios de vários pensadores e especialistas, que versavam
sobre o homem e suas "ciências, artes e ofícios". A Encyclopédie, que se
estendeu por 35 volumes e teve notável influência intelectual na França e em
outros países, deu grande importância ao progresso e à ciência.
Jean-Jacques Rousseau foi uma das grandes figuras das Luzes. Para ele, a moral
surge com a sociedade, pressupõe o princípio da ordem e exige a liberdade. A
única sociedade política aceitável para o homem é a que está fundada no
consentimento geral. Rousseau não preconizou a revolução nem incitou a ela, mas
suas idéias influenciaram os revolucionários franceses. Por sua riqueza e
originalidade, são também um marco inaugural do romantismo e uma das referências
do pensamento moderno.
Na Aufklärung, destacou-se Christian Wolff. Diferente das Lumières, o Iluminismo
germânico sofreu influência da reforma luterana e do empirismo de Locke, e
apresentou grande atração pelas matemáticas. Todas essas tendências se
incorporaram a um núcleo central representado pela problemática metafísica. A
estética foi estudada principalmente por Gotthold Ephraim Lessing. Immanuel Kant
é o resumo por excelência do Iluminismo e iniciou uma nova forma de pensamento.
Em outros lugares da Europa, as idéias iluministas penetraram menos. Na Itália,
Giambattista Vico propôs uma definição e um projeto racionais da história, na
qual distinguia três idades: a dos deuses, a dos heróis e a dos homens. Na
península ibérica, o predomínio da teologia cristã tradicional tolheu as novas
idéias, que encontraram maior difusão nas colônias hispano-americanas e no
Brasil, e contribuíram para a formação do pensamento social e político dos
líderes do movimento de independência.
Significado histórico - O
Iluminismo extinguiu-se, ao menos eem parte, pelos excessos de algumas de suas
idéias. A oposição às idéias religiosas e a usurpação da figura de Deus
tornaram-no estéril e sem atrativos aos olhos de muitos para quem a religião era
fonte de consolo, esperança e sentimento de comunhão. O culto quase ritualístico
à razão abstrata, elevada à categoria de autêntica divindade, levou também a
cultos de tipo esotérico ou obscurantista. E o período do "Terror", que se
seguiu à revolução francesa foi um golpe para a convicção iluminista de uma
sociedade justa e pacífica, fundada em princípios racionais partilhados por
todos os cidadãos.
Os pensadores iluministas deixaram como legado a definição e desenvolvimento de
muitos dos conceitos e termos empregados ainda hoje no tratamento de temas
estéticos, éticos, sociais e políticos. E o mundo contemporâneo herdou deles a
convicção, rica de esperanças e projetos, de que a história humana é uma crônica
de contínuo progresso.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
(Apostila 0-B - zero "B" de Arcadismo - Literatura Brasileira)